Seguindo sem rumo...

Postado por Jaqueline Amorim | 16:56 | 0 comentários »

Caminhar na multidão e não ser reconhecida... Não ser especial para ninguém, não estar em destaque na vida de ninguém... É estranho saber que existem tantos ao meu redor, cada um em seu próprio mundo, com sua vidas pré-definidas, é estranho não ser parte integrante de nenhuma dessas vidas... Sentir-se profundamente sozinha enquanto caminha no meio dos demais e sentir no fundo da alma que talvez nada seja capaz de mudar essa situação, este estranho sentimento de abandono...

Eu costumava ser apontada pelos outros como uma jovem bonita, uma adolescente bonita, uma mulher bonita... e apesar de tudo, sinto que minha "beleza" nunca me ajudou em nada. Hoje me olho no espelho e vejo que a vida está passando, começo a verificar as primeiras rugas que surgem, os primeiros fios de cabelo branco, meu corpo já não é mais tão torneado, estou começando a engordar e ter algumas imperfeições que chegam mesmo com a idade. Não, ainda não sou tão velha mas sei que vou ser e conforme o tempo passa, sinto cada vez mais forte que independente de eu estar lá, sempre haverá uma multidão de pessoas caminhando, cada uma e cada qual com suas próprias histórias, com suas próprias solidões. 

Não me incomoda envelhecer, incomoda muito não ter alguém ao meu lado envelhecendo comigo, incomoda muito saber que ainda não sinto a sensação de ver meus filhos crescendo, incomoda muito essa solidão de não fazer parte da vida de ninguém, de não ser importante para ninguém. Incomoda não ter encontrado o amor, incomoda só ter encontrado pessoas que me usaram como passatempo ou usaram minha beleza juvenil para me exibir como a um troféu para os amigos enquanto dizia: "olha a gata que estou pegando!" Incomoda ter sido alavanca para que outros pudessem se reerguer de relacionamentos fracassados e depois de livres do sentimento que os torturavam me diziam obrigado e partiam para o amor de outras que não fosse eu. 

É por isso que digo que minha beleza nunca serviu de nada, nunca serviu para me fazer encontrar alguém que me amasse de verdade e, agora que começo a perceber os primeiros sinais de que não sou mais uma moça desejável e atraente, estou engordando e minha pele já não é mais tão lisa talvez eu não encontre alguém que me ame por falta de beleza... Ironia do destino, maldição talvez...

Ainda continuo caminhando sem rumo e sinto que os ventos do destino brincam comigo, me dizendo para onde devo ir e simplesmente vou, sem direção, sem saber onde vou chegar... Trabalho por trabalhar, não sinto mais prazer em nada, é muito chato se divertir sozinha, sem ter quem ria comigo.

O trabalho, é apenas para continuar vivendo até que Deus decida quando devo partir... É só para ter dinheiro para pagar as contas do mês e comprar alguma comida no mercado... E pergunto sinceramente: é só isso? É só para isso que passamos pelo mundo? Não sei... Uma árvore que cresce e morre sem dar frutos e nem sementes ainda assim é muito útil, pois deu oxigênio para a respiração de muitos e a minha utilidade se resume a quê? Estou muito cansada... sinceramente muito cansada, desanimada e sem "saco". 

Queria mesmo encontrar algum sentido para minha vida mas não encontro nenhum. E não pensem que estou com pena de mim mesma, não estou. Só não encontro resposta para meu fracasso moral e como ser humano que não fez nada nessa vida além de crescer e continuar vivendo sem nem almenos encontrar um motivo para isso. Felizes os que encontram alguém para amar, felizes os que são amados por alguém, Deus não nos fez para sermos sozinhos. Talvez seja por isso que solidão doa tanto...

No Divã

Postado por Jaqueline Amorim | 18:47 | 1 comentários »

Acho que estou em nova fase de mudanças... Sinto-me tão estranha e cada dia mais me prendo dentro de mim. Não confio mais em ninguém, o medo de me relacionar com as pessoas, as decepções, o medo de novas decepções, fizeram de mim um ser preso em mim mesmo. 
Não permito a aproximação e ao mesmo tempo, não sei descrever se tenho medo de sofrer pelo abandono (pois sei que qualquer um que entre em minha vai me deixar) ou pela solidão de não ter ninguém, pela fragilidade de ser só. 
Acho que estou ficando mais auto-crítica, não me contento mais com pequenos galanteios e nem com palavras soltas ao vento, palavras vomitadas para me conquistar, sem nenhum real sentimento que não seja a do desejo por um quarto imundo de motel... Fico à espera de algo grandioso, algo que realmente seja verdadeiro e me tire o chão, não de tristeza mas de satisfação, de finalmente encontrar um algo mais nesses homens tão vazios que transitam pela minha vida...
Desejo de encontrar não o príncipe num cavalo branco mas sim alguém com intelecto, alguém que deseje compartilhar momentos comigo, momentos únicos, até infantis. Passear de mãos dadas, conversar e trocar idéias sobre fatos importantes do dia, do trabalho, da vida... Dividir passeios, contas, dívidas, problemas, soluções, sorrisos, lágrimas... Já estou meio de "saco cheio" desses caras que dizem: "Estamos nos conhecendo"... 
Algumas pessoas passam a vida inteira conhecendo outro alguém sem nunca conhecerem verdadeiramente. A diferença é que essas pessoas passam grande parte da vida juntas, constroem coisas juntas, crescem e se desenvolvem juntas, evoluem, constituem famílias e são muito felizes apesar dos problemas que surgem no decorrer da caminhada. Essas pessoas sim, são felizardas, e "estão se conhecendo" diariamente, eternamente..
Hoje existe uma banalização desta frase. "Estamos nos conhecendo" virou desculpa para não assumir compromisso com alguém, para enrolar uma pessoa por meses sem nunca dizer para os demais: "Olha, eu e fulana (o) estamos juntos. Estamos namorando." Aí diz-se: "Estamos nos conhecendo"... 
Eu não quero estar conhecendo ninguém deste jeito, sempre fui muito 8 ou 80, ou está comigo ou não está. As pessoas estão cada dia mais solitárias... Eu estou cada dia mais solitária... Não encontro ninguém compatível, ninguém que compartilhe das mesmas opiniões que eu... Só encontro pessoas vazias que gostam de dizer: "estamos nos conhecendo." Quer saber? Não quero conhecer ninguém!